segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A "Escola Nova" - Pensadores da Educação

Com o aparecimento da modernidade, as relações da sociedade com a tradição sofreram uma ruptura e no campo educacional surgiram diversas propostas pedagógicas.
Surgindo assim, o movimento "Escola Nova".

Idéia básica:


O papel da aprendizagem deve ser exercido ativamente pela criança que passa a ser o centro do processo.

Principais contribuições:

John Dewey (1859-1952), filósofo norte-americano
* Necessidade de valorizar a capacidade de pensar dos alunos
* Prepará-los para questionar a realidade
* Unir teoria e prática
Educar é mais do que reproduzir conhecimentos. É incentivar o desejo de desenvolvimento contínuo, preparar pessoas para transformar algo.

Maria Montessori (1870-1952), médica e educadora italiana
* As crianças trazem dentro de si o potencial criador que permite que elas mesmas conduzam o aprendizado e encontrem um lugar no mundo - "Ajude-me a agir por mim mesmo..."

"A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir." Maria Montessori


Jean-Ouvide Decroly (1871-1932), médico e educador belga
* Pregonizou um modelo de ensino não-autoritário e não-religioso 
* Preparar as crianças para viverem em sociedade
* Possibilidade de o aluno conduzir o próprio aprendizado e, assim, aprender a aprender - idéia de globalização de conhecimentos - as crianças apreendem o mundo com base em uma visão do todo
* Atividades manuais (jogos e brincadeiras) têm destaque especial
* Os exercícios ao ar livre e em grupos estimulados

Fonte:
Aula: Didática - Profª Bernadete (18/02/214)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Estratégia de Leitura

Fundamental: não se cobrar, não fazer exigências para que haja a compreensão completa de um texto/livro logo da primeira vez que lemos.
Ex.: Os músicos não sentem pressão de tocar perfeitamente a primeira vez que vêm uma partitura.
Logo, relaxar é a palavra chave para que a mente absorva melhor o conteúdo. Seja como uma criança, no início da aprendizagem, naturalmente curiosa, capaz de maravilhar-se, experimentar, descobrir.

1º passo:
Mapeamento geral do texto
Leitura dos títulos, subtítulos, quadros, figuras...
Você será capaz de dizer do que se trata o texto e saberá como ele está organizado.

Caso não tenha tempo extra para os próximos passos, pelo menos já terá uma noção sobre do que se trata o texto e, caso precise de alguma informação mais precisa, saberá onde procurar, pois terá conhecimento como o texto está organizado.

2º passo:
Ler todas as linhas por blocos
Blocos: Divisão por títulos ou subtítulos. Caso seja um texto sem divisões, dividir os blocos por página.
a) Ler um bloco de cada de cada vez. A leitura deverá ser feita sem interrupções, ou seja, sem marcações, sem grifar, sem parar para nada! nem para olhar no dicionário.
Deve ser uma leitura rápida, porém com foco, com o objetivo de terminar a leitura sem nenhuma interrupção.
b) Somente após a leitura do bloco inteiro, grifar os trechos importantes (somente palavras e pequenos trechos).
c) Reescrever com as suas palavras o que entendeu dos trechos grifados - resumo. Para futuras consultas e como sugestão, fazer um fichamento (registro de leitura).
d) Marcar (?) nos trechos confusos que pareçam importantes.

3º passo:
Aperfeiçoamento
Organizar as anotações num projeto de texto.
Reler para tirar as dúvidas finais (dicionários, google.com) e ajustar as anotações (corrigir, acrescentar).
Obs.: Olhar no dicionário somente nessa fase, pois muitas vezes o sentido já será compreendido com o contexto geral do texto.
E, caso não tenha sido compreendido, uma vez que uma palavra possa conter diversos significados, será mais fácil encontrar o significado correspondente ao texto mais facilmente.

Fonte:
Aula: Técnicas de Leitura e Produção de Textos, Professora Sueli, em 20/02/2014
Livro: SHEELE, Paul R. Fotoleitura. Sao Paulo: Summus, 1995.

Sociologia

Filme:
Daens - Um Grito de Justiça

Sugestões temáticas discutidas em sala de aula:
- Condições precárias de trabalho, assédios;
- Trabalho feminino e infantil nas fábricas (mão-de-obra mais barata para gerar maior lucro);
- Situação dos operários em seu cotidiano (pobreza e mortes);
- Organização dos sindicatos/partidos políticos;
- Importância do sufrágio universal (pão e cachecol não seriam suficientes)
- Situação gerada pelo sistema capitalista
- Posição ambivalente da igreja
- RERUM NOVARUM: docto. feito pela Igreja Católica (Papa Leão XIII) que definia a doutrina social da igreja. Primeira vez que a igreja se posiciona diante da classe operária para não perder os fiéis. Comparação feita com a determinação do salário mínimo no Brasil, que segundo a C.F. 88: deve atender as necessidades vitais básicas e às da família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Porém, não define claramente como determinar se o valor do salário mínimo vigente cobrirá ou não tais especificações.
Mais informações sobre RERUM NOVARUM, ver: 
http://redes.moderna.com.br/2012/05/15/a-enciclica-rerum-novarum-e-a-direcao-da-igreja-catolica/
- Citação apenas: Frei Leonardo Boff, figura parecida ao Padre Daens. No Brasil, ficou conhecido pela sua história de defesa das causas sociais.


Minidicionário:
Liberais - Pequenos burgueses, comerciantes, classe média. Trabalhavam a favor dos direitos sociais.
Radicais - Contratados pela elite, "quem faz o serviço que em tese a polícia não pode fazer"

Frase do profº Cleber: " Sem luta não há avanço social."

Abaixo, um resumo sobre o filme.

*   *   *   *   *
FONTE: Ricardo Flaitt, Alemão
Sob essa nova ordem socioeconômica, homens, mulheres e crianças, para sobreviverem, viram-se obrigadas a vender o único bem que lhes restavam: sua força de trabalho.
Como engrenagens do Sistema, as pessoas eram submetidas a desumanas jornadas de trabalho de até 16 horas diárias, em locais insalubres, tendo que repetir incessantemente (divisão do trabalho) o mesmo movimento nas máquinas.
Não existiam leis e garantias trabalhistas, o que dava margem a terríveis abusos patronais como assédios morais e sexuais.
O filme Daens – Um Grito de Justiça narra a história do padre belga Adolf Daens, que se transfere para a cidade Aalst, no final do século XIX. Chegando lá, depara-se com a degradação em que a população era submetida nesse processo agudo de industrialização.
Sensível e esclarecido homem de seu tempo, Daens indigna-se ao se deparar com as constantes mortes por acidentes nas indústrias, pela fome, congeladas pelo frio, e demais causas devido às condições miseráveis em que viviam as famílias operárias.
Em Aalst, Daens instala-se na casa do irmão Peter, dono do jornal local “O Operário”. Por meio do instrumento ideológico do irmão, Daens publica o artigo “Chega de Crianças Mortas em AAlst”,  denunciando a exploração do trabalho infantil nas fábricas.
O artigo remexe com as estruturas da cidade, constituído pelos burgueses (empresários), a Igreja, políticos, a massa trabalhadora oprimida e correntes políticas como os socialistas e os radicais (reacionários oriundos da massa).
A partir do instante em que Daens passa a interferir na ordem estabelecida os burgueses/empresários iniciam uma articulação para calar o discurso do padre que buscava justiça social e, evidente, seguia no sentido contrário à lógica do sistema de maximização dos lucros e competitividade, mesmo ao custo de vidas humanas.
Sendo Daens parte da instituição Igreja Católica, a ação/pressão burguesa envolve, então, o cerceamento da propagação dos seus ideais recorrendo aos superiores na hierarquia eclesiástica.
Na primeira esfera, o bispo convoca-o/intima-o para avaliar o caso, saber se realmente há um número excessivo de mortes de crianças e, sobretudo, para cercear a atuação do padre.
Nesse ponto é necessário compreender as relações entre a doutrina católica de justiça, a relação com a burguesia e o crescimento dos ideais socialistas/comunistas. A igreja, sob o contexto das relações tinha a missão de apascentar a massa operária para o bom funcionamento do sistema, porém, contraditoriamente, via-se obrigada a seguir suas doutrinas pelo bem-estar social de todos.
A igreja enxergava as atrocidades acometidas nas fábricas, no entanto, compactuava com a burguesia pela soberania das almas em suas paróquias e, consequentemente, frear qualquer propagação dos ideais socialistas, que negavam a fé e doutrina católica.
A atuação de Daens estabeleceu um desafio eclesiástico: como conciliar os interesses burgueses/empresariais sem perder a alma dos operários católicos?
No plano político, o parlamento belga, sob pressão popular, decidia sobre o sufrágio universal, que acabara sendo aprovado aos maiores de 25 anos. Com essa decisão, Daens encontra uma brecha para fugir ao cerceamento, candidatando-se a uma vaga no Parlamento belga.
Se de um lado a burguesia se articulava com a igreja para manter-se no centro das decisões políticas, em contrapartida, Daens compunha com as massas operárias, os socialistas e alguns empresários liberais. Composição necessária, uma vez que a massa não possuía outro representante, e tanto burgueses liberais quanto socialistas, não congregavam força suficiente para ocupar uma Cadeira.
Unificados, elegem Daens, que apresenta o quadro de exploração extrema nas fábricas de Aalst no parlamento belga. Assim, Daens passa a incomodar ainda mais.
Porém, a burguesia reagrupa-se, rearticula-se e encontra um novo mecanismo para sufocar o agora parlamentar Daens: levar o caso do padre para ser julgado pelo Papa Leão XIII, no Vaticano.
O bispo tem plena consciência da exploração dos menos abastados nas indústrias e as condições de miséria em que viviam as pessoas. No entanto, como observado, a igreja sendo uma entidade política dentro do sistema social precisava manter os laços estreitos com o poderio político-econômico burguês, com objetivo, dentre outros, de afastar os ideais socialistas na sociedade, que negavam a fé cristã e enfraqueciam sua influência.
Em Roma, Leão XIII determina que Daens deve se ocupar basicamente às atividades católicas ligadas à Igreja, sem qualquer forma de interferência na ordem social, e com a missão apenas de “manter a paz e a ordem social”.
Com a proibição vinda do Vaticano, o padre parlamentar Daens retorna à Aaslt. Mesmo assim prossegue sua luta em defesa dos menos favorecidos no Sistema.
Acaba sendo suspenso de suas atividades sacerdotais, em 1898, por Antoine Stillmans, bispo de Ghent, mas seu grito por justiça nunca se calou. Elegeu-se para mais um mandato no parlamento, onde se ampliou sua voz em defesa dos oprimidos.
(Revisão crítica do sociólogo Marco Antonio Mota)
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Ricardo Flaitt, Alemão, é assessor de imprensa da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, colaborador no Centro de Memória Sindical e estudante dos cursos de História e Gestão Pública